Anomalias em lavouras de milho: síndrome do crescimento rápido

Algumas vezes somos pegos de surpresa com sintomas e anomalias inesperadas em lavouras de grãos, muitas causam bastante estranheza e dúvida. Essa foi a expressão de um amigo quando há alguns dias me enviou algumas fotos do cultivo de milho de um cliente:

Rapid growth syndrome é como os americanos chamam os sintoma das fotos acima (síndrome do crescimento rápido na tradução literal). Apesar de não ser um tipo tão comum de anomalia em lavouras comerciais, certas condições ambientais ou até práticas de cultivo podem fazer os sintomas serem mais frequentes na safra.

Se você olhar atentamente as plantas com os sintomas da síndrome vai notar que elas apresentam as folhas mais novas enroladas com cartucho dobrado e torcido. Por algum motivo as folhas do cartucho perdem sua elasticidade ficando incapazes de se desdobrar adequadamente. As folhas mais novas ao crescerem continuamente pressionam o cartucho que, sem se desdobrar, acaba ficando com a aparência da foto acima (dobrado e torcido).

Normalmente esse sintoma é percebido em poucas lavouras e poucas plantas dentro da mesma lavoura, sendo comum que apareça em plantas isoladas. Na maioria das vezes você verá as plantas afetadas apresentando 5 ou 6 folhas desenvolvidas (estádios V5 e V6).

Talvez você não tenha visto necessariamente plantas com esse tipo de sintoma, mas já tenha reparado na lavoura algumas plantas com o topo amarelado.

Os sintomas que descrevi duram cerca de uma semana, após alguns dias as folhas das plantas afetadas se desenrolam. Algumas das folhas recém-emergidas ficarão amarelas por que estavam escondidas dentro do cartucho, mas retomam a cor verde em pouco tempo. Uma característica que se mantém por todo o crescimento da lavoura é a aparência ‘amarrotada’ na base das folhas afetadas.

O que pode provocar esses sintomas na lavoura?

 A causa essencial desse distúrbio é uma transição abrupta de condições de baixo crescimento para um crescimento acentuado das plantas. Na maioria dos casos isso está associado a condições climáticas e também a estresses.

As situações mais comuns são a transição de temperaturas amenas para condições mais quentes, como ocorre quando dias chuvosos e nublados dão lugar a outros bastante ensolarados. O mesmo vale para períodos de seca intensa seguidos pela regularização das chuvas.  Um fator que pode se associar a isso e intensificar a ocorrência dos sintomas é a cobertura nitrogenada, quando a retomada de condições favoráveis a assimilação do N pode acentuar ainda mais a taxa de crescimento após o período de menor desenvolvimento.

Vale lembrar que esses eventos devem ocorrer próximo ao estádio V5 para que a síndrome se manifeste. Essa é a fase em que há uma aceleração natural na taxa de crescimento da planta, que passa a emitir novas folhas no cartucho a uma velocidade maior.

Alguns pesquisadores relatam que injurias causadas por herbicidas também podem provocar os sintomas, apesar dessa ser uma causa menos frequente.  Na foto abaixo a suspeita é de que a aplicação de herbicida a base de glufosinato de amônio tenha provocado os sintomas da síndrome. Nesse caso plantas com cartucho torcido e dobrado estavam espalhadas pela lavoura nos locais de manobra do pulverizador, onde há ‘remonte’ da aplicação.   

Como disse, os sintomas persistem na lavoura por poucos dias, por isso não há motivo para alarde quando vir esse tipo de anomalia no campo. 

Eng. Ms. Geraldo Gontijo

 

 

3 respostas para “Anomalias em lavouras de milho: síndrome do crescimento rápido”

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