Podridão de colmo em milho: o que muitos olhos não veem, mas o bolso sente!

Você é capaz de identificar situações anormais em uma lavoura?

O quanto sua percepção está treinada para identificar o problema abaixo?

Se você for um bom conhecedor da cultura do milho talvez tenha estranhado que a planta à direita tenha sua espiga ‘dobrada’ e madura enquanto há muitas folhas verdes na lavoura. Se observar bem, ainda encontrará folhas verdes no baixeiro.

O problema em questão passa imperceptível para a maioria dos produtores durante a maior parte do desenvolvimento da lavoura, muitos se darão conta do que se trata apenas na colheita, quando se depararem com as perdas no campo.

Se você ainda não sabe do que estou falando vou te levar para ver a condição dessas plantas no momento da colheita.

Esse é um exemplo típico de esgotamento do colmo, que em boa parte dos casos se refletirá na lavoura na forma de podridão. Nesse post não irei detalhar as características desse problema, quero apenas que você acompanhe a evolução dos sintomas no campo, desde as suas primeiras evidências. Contudo, há um ponto para o qual quero chamar atenção, talvez tenha reparado que eu disse ‘esgotamento’ e ‘podridão’. É importante você saber que existem duas naturezas para esse problema, uma fisiológica, ligada à nutrição e ao enfraquecimento dos tecidos da planta, e outra patológica, que trata de doenças provocadas por fungos, a maioria presentes no solo (estes dois fatores quase sempre estarão associados).

Em condições normais é comum notar que a planta de milho senesce (envelhece) a partir do baixeiro em direção ao topo, as primeiras evidencias de problemas no colmo aparecem justamente quando é possível observar o comportamento inverso. Em alguns casos, logo após o florescimento é possível observar que plantas isoladas na lavoura começam a morrer de cima para baixo, sintoma conhecido como ‘dieback’ (morte descendente).

A planta da foto acima teve seu colmo infectado por algum patógeno de solo provavelmente no início de sua fase reprodutiva. Você pode observa uma lavoura em ótima condição de desenvolvimento, as plantas vizinhas estão com folha verdes e sadias até o topo. Isso permite concluir que nesse caso a causa do sintoma é exclusivamente fitossanitária, talvez devido uma maior suscetibilidade do híbrido.

Quero que você acompanhe a situação a seguir:

Se observar de maneira atenta também encontrará na última foto uma planta com dieback (o topo já está completamente morto e o pendão aparece dobrado). Esta já é uma situação onde o componente fisiológico e sanitário do esgotamento do colmo se misturam, explico melhor. A elevada perda de área foliar provocada principalmente por mancha branca (observe a penúltima foto) compromete o enchimento de grãos, como forma de compensar o problema, a planta passa a remobilizar reservas do colmo a uma taxa maior do que normalmente ocorreria. Por resultado, o colmo enfraquece e se torna mais vulnerável ao ataque dos fungos de solo, que terminam por esgotar o restante das reservas e comprometer a saúde da planta. Observe a evolução dos sintomas:

Plantas tombadas e maturação precoce das espigas. No melhor dos casos o produtor conseguirá colher a lavoura e perderá apenas pela redução do peso de grãos, neste, para um híbrido onde é comum um PMS maior que 400 g haverá uma perda de mais de 30% neste componente de rendimento. Em outros, onde o sintoma não for identificado a tempo, se houver demora na colheita muitas plantas irão acamar e muita espiga deixará de ser colhida.

Existe ainda muito que se falar sobre podridão de colmo, mas por hora penso que saber identificar o problema a campo seja suficiente.  Te espero para mais uma conversa sobre o tema em uma outra postagem!

Eng. Ms. Geraldo Gontijo